A Elysium Sociedade Cultural concluiu os trabalhos de consolidação e requalificação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Realizado em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e com patrocínio da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto incorpora um Centro de Referência e um edifício administrativo, concebidos para valorizar o protagonismo da antiga Capela de São José da Boa Morte, construída em 1734 e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) desde 1989.

A requalificação foi desenvolvida com o princípio de respeitar a história ao mesmo tempo em que as novas edificações evidenciam a arquitetura contemporânea. A concepção dos anexos que compõem o Complexo das Ruínas da Boa Morte teve como propósito preservar o patrimônio histórico e garantir que a antiga capela permanecesse como protagonista da paisagem.

Para alcançar esse objetivo, as novas edificações foram projetadas em escala reduzida. Todas as decisões de projeto buscaram preservar essa leitura, resultando em edificações térreas, gabarito baixo e com implantação cuidadosamente planejada para ocupar o mínimo possível do terreno, sem competir com a ruína. Os novos espaços serão destinados à realização de exposições, celebrações comunitárias e workshops.

A proposta arquitetônica também evita reproduzir elementos históricos. Em vez disso, adota uma linguagem contemporânea, marcada por linhas retas, formas simples e volumes discretos, estabelecendo um diálogo entre o antigo e o novo.

A implantação aproveita os desníveis naturais do terreno, permitindo que as construções se integrem à paisagem e reduzindo a necessidade de intervenções na topografia.

A escolha dos materiais seguiu a mesma lógica. A proposta não foi mimetizar o edifício histórico, mas criar uma continuidade visual, especialmente em relação às cores, às texturas e à própria materialidade, permitindo que as novas edificações dialoguem de forma sensível com o patrimônio, ao mesmo tempo em que evidenciam sua contemporaneidade.

Os cobogós também fazem parte da solução arquitetônica. Além de favorecerem a ventilação e a iluminação natural dos ambientes, contribuem para a leveza das fachadas e criam efeitos de luz e sombra sem desviar a atenção da antiga igreja.

Em todas as decisões do projeto, o princípio adotado foi o respeito à história, à paisagem, à memória do lugar e à importância de preservar o protagonismo das Ruínas da Boa Morte para as futuras gerações.

As Ruínas da Boa Morte são consideradas um dos principais símbolos históricos de Cachoeiras de Macacu. A antiga igreja foi cenário de batismos, casamentos e sepultamentos até o século XIX e guarda registros da formação da comunidade na região.

As obras de consolidação e requalificação tiveram início em 2025. O entorno do monumento, às margens do Rio Macacu, integra rotas de turismo rural, ecológico e gastronômico, além de circuitos de ciclismo e atividades de ecoturismo.